[Avaliação] Jeep Renegade S T270 4×4: até que ponto o diesel faz falta?


Avaliamos a versão topo com motor flex e tração 4×4 do Jeep Renegade 2022, um dos SUVs mais queridos do Brasil.

Lançado em 2015 no Brasil, o Jeep Renegade foi o responsável maior pela popularização da marca norte-americana no país, posteriormente ganhando mais representatividade ainda com o médio Compass. Galgando excelentes posições no disputado segmento de SUVs, nada mais é um dos líderes de vendas entre os concorrentes.

Em 2018 ganhou a primeira reestilização no país que, embora discreta, conferiu ao modelo um fôlego maior para seguir em vendas. Contudo, a maior questão negativa (para alguns) do Renegade continuava: o motor 1.8 E.torq. Certo que a maior fatia de vendas era dessa motorização, mas era alvo de fortes críticas pelo alto consumo aliado ao desempenho fraco.

Porém, o ano de 2022 chegou e trouxe consigo a segunda reestilização do Jeep Renegade, dessa vez sendo mais profunda e agregando muito em conteúdo e tecnologia, mas com uma mudança principal. Saiu o motor aspirado para a entrada do 1.3 turbo lançado no Compass em 2021, mas para a surpresa de muitos o tão adorado motor diesel também saiu de cena – a tração 4×4 ficou.

Com isso, vamos além de destrinchar os detalhes do Renegade 2022, mostrar até que ponto o diesel faz falta na gama do modelo. Veja avaliação da versão Série S com motor T270 e tração 4×4.

Design

O Jeep Renegade conta com um design bastante marcante e característico, ressaltado pela grade “sete fendas”, tradicional dos modelos da marca e que remete aos seus primórdios. A dianteira, por sua vez, ganha na linha 2022 um novo para-choque mais encorpado e com faróis de neblina em novo formato. Os faróis em LED perderam projetores e agora são bipartidos, mas agora possuem DRL e seta conjugados.   

A versão segue a “filosofia” da Série S, conferindo detalhes únicos que deixam o SUV bastante charmoso, por exemplo, emblemas escurecidos e teto na cor preta, bem como rodas de 19 polegadas na cor grafite. O teto solar panorâmico que equipa a versão testada é um opcional. Diferente do Compass, as molduras plásticas não são na cor do carro e sim na cor preta.

Sua traseira é também bastante marcante, trazendo novas lanternas com luzes de posição e freio imitando um X, mas cortado pela seta posicionada no meio da lanterna e que agora traz iluminação em LED. A luz de ré continua no para-choque e também ganha LED, ou seja, o Renegade 2022 só tem as luzes de placa halógenas em seu exterior, isso em todas as versões.

Motorização e consumo

Aqui, o Jeep Renegade mostra a maior diferença desde o seu lançamento, pois saiu o cansado e gastão 1.8 E.torq EVO, embora o 2.0 Multijet diesel também tenha saído – no final da matéria responderemos se essa motorização em específico faz ou não falta.

No lugar das duas motorizações entrou o 1.3 turbo flex também denominado de T270. São 185 cavalos no etanol e 180 cavalos na gasolina, ambos a 5.750 rpm. O torque é de 27,5 kgfm ou 270 Nm a 1.750 rpm independente do combustível usado.

A nova motorização, aliada ao câmbio automático de nove marchas, proporcionam ao Renegade 2022 um rodar suave e transmitindo bastante segurança, sobretudo em retomadas, onde o veículo é bem-disposto. Na cidade, agilidade em saídas de semáforo, embora sinta um pouco do peso mais elevado do modelo por conta da tração 4×4. O modo Sport deixa as trocas de marcha em giro mais alto e suaviza a resposta no acelerador, sendo uma opção de condução bastante interessante.

O veículo testado, abastecido com gasolina, teve em trecho totalmente urbano as médias entre 8,7 e 9,3 km/l, sempre com o Start&Stop acionado, enquanto na estrada puderam ser obtidas médias na casa de 13 km/l, caindo para 12 km/l com modo Sport. Todas as médias com ar-condicionado ligado.

Não testamos o finado Renegade diesel, mas temos como parâmetro a versão Limited 1.8 avaliada em 2021 e aquele modelo em trecho urbano não passou de 8,5 km/l, enquanto na estrada não passou de 11,5 km/l. Logo, o Renegade T270 4×4 se saiu sim melhor.

Contudo, se formos comparar com o irmão maior Compass com esse motor e que também foi testado pelo M.D.A, as médias urbanas desapontam, pois o modelo ficou na maior parte do tempo na casa dos 10 km/l. Já na estrada, provavelmente em virtude da maior quantidade de marchas, o Renegade se saiu melhor, pois o Compass na ocasião ficou entre 12 e 12,5 km/l sem modo Sport.

Tecnologia

O Jeep Renegade S dá show quando o assunto é tecnologia. Conta com a central multimídia UConnect atualizada com tela de 8,4 polegadas, atuando em conjunto com o painel digital de 7 polegadas herdado da Fiat Toro (embora com layout diferente), ambos com boa resolução. Bem completa, possui Android Auto e Apple CarPlay sem fio, comandos de ar-condicionado, além de mostrar imagem da câmera de ré que possui boa visualização, entre outras funcionalidades. Destaque para o carregador por indução que traz uma espécie de presilha para fixar o celular e uma saída de ar quando o ar-condicionado está ligado, tudo isso para não aquecer o dispositivo.

O exemplar testado contava com o Adventure Intelligence Plus, sistema estreado no Renegade 2021 que deixa o SUV ainda mais conectado com Wi-Fi nativo, possibilidade de comandar funções através do smartphone, entre outras funcionalidades muito interessantes, como a possibilidade de controlar o veículo a distância através do aplicativo My UConnect. Contudo, por conta da falta de componentes que compromete a indústria automotiva, o recurso foi cortado de alguns modelos e agora só está a partir da versão Limited do Compass.

Contando com partida remota e porta-malas elétrico, ambos com acionamento pela chave, o Jeep Compass S permite uma pitada a mais de requinte e comodidade ao usuário. O conjunto óptico dianteiro é em LED, exceto as setas, mas apesar de ser bastante competente sente o peso da falta de projetores como no Renegade, ficando um pouco defasado em certas ocasiões.

Mais um ponto do Compass S está no sistema de som premium com assinatura da Beats, composto de oito auto-falantes e um subwoofer localizado no porta-malas, com alta qualidade, sem distorções em altos volumes e graves bastante limpos.

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Acabamento e conforto

Aqui está um dos pontos de destaque do Jeep Renegade que em todas as versões traz painel emborrachado e sem rebarbas, além de contribuir para o silêncio a bordo. As portas mesclam plástico rígido e couro, mas também são muito bem montadas e proporcionam uma sensação de solidez construtiva.

Ponto criticado no Renegade 2021 e que persiste na linha 2022 é a rede do teto solar, bastante fina e que transmite bastante calor ao habitáculo, diferente dos maiores Compass e Commander. No mais, trata-se de um carro bastante confortável e seguro em curvas, trazendo suspensão bastante acertada tanto em ciclo urbano quanto rodoviário.

O motorista tem uma posição de dirigir digna de SUV, muito por conta do capô alto e da boa área envidraçada, ficando bem posicionado e tendo boas posições de dirigir graças à regulagem de altura e distância tanto do volante quanto do banco.

Adendo para as rodas de 19 polegadas com pneus 235/45 que em pavimentos ruins podem atuar de forma negativa na passagem de imperfeições do solo para a cabine, mas nada que ocorra de forma brusca. Ocupantes traseiros com estatura um pouco maior podem esbarrar as pernas no banco dianteiro, além de não terem saídas de ar individuais, algo que poderia ter sido agregado.

Desempenho off-road

Um dos maiores mitos acerca do Jeep Renegade com tração 4×4 é o sua desenvoltura off-road, isso pelo fato de vários memes circularem com o veículo em situações não muito condizentes com sua proposta e de certa forma um mau uso dependendo da ocasião.

O fato é que o Renegade S se sai muito bem no fora de estrada, não tendo maiores dificuldades e sem raspar muito, embora não tenha os ótimos ângulos de ataque e saída da versão Trailhawk. Até os pneus que na versão testada são de perfil baixo cumprem bem seu papel, embora em terrenos mais molhados patinem um pouco.

No geral, o Jeep Renegade S se comporta bem em situações mais adversas, cabendo ao condutor entender os limites do veículo, bem como saber utilizar seus recursos, como o assistente de descida (HDC) e o seletor de terreno de acordo com o lugar.

Porta-malas

Com 320 litros de capacidade, o SUV da marca norte-americana possui litragem um pouco pequena em relação à média do segmento, ficando um pouco prejudicada para atender pessoas cadeirantes e (ou) que demandam mais espaço para bagagens. Porém, se você vai andar com no máximo mais uma pessoa no carro ou até mesmo incluindo uma criança, pode atender no cotidiano.

Segurança e assistentes a condução

O Jeep Renegade S conta de série com sete airbags (frontais, laterais, de cortina e joelho para o motorista), freios ABS, controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, ISOFIX e Top Tether, além de freio a disco nas quatro rodas, aperfeiçoando o nível de segurança.

Além disso, possui diversos assistentes a condução, como frenagem automática de emergência, leitor de placas e faixas, detector de ponto cego, detector de radares e semáforos, bem como farol alto automático. Todos esses equipamentos atuam muito bem e em harmonia com o motorista, mas o adendo fica para o leitor de faixa que ainda carece de evoluções, pois mesmo com faixas bem pintadas, faz com que o carro fique ziguezagueando pela rodovia – embora não seja para proporcionar uma condução autônoma de fato.

Ao longo dos testes com o modelo, pude perceber um aviso no painel de que o sistema de frenagem automática e reconhecimentos estava indisponível e acreditei que pudesse ser até um defeito. Porém, ao ver ocorrer em outras vezes, percebi que é um modo de segurança em casos de neblina, sol baixo ou outras situações de baixa visibilidade que podem impedir o uso correto do sistema.

A ausência do piloto automático adaptativo (ACC) é sentida no modelo, pelo menos aqui nessa versão topo, já que as versões mais completas do Compass e o Commander dispõem do recurso. Para PcD, trata-se de um dispositivo bastante útil e que torna o uso até mais seguro.

Ponto para o Park Assist, sistema que auxilia no estacionamento em vagas de shoppings, mercados ou até mesmo nas ruas, recurso que funciona muito bem.

Preços e conclusão

O Jeep Renegade nessa versão tem preço público sugerido a partir de R$ 169.090, tendo apenas um opcional que é o teto solar elétrico por R$ 8.303. Na unidade testada com cor metálica Cinza Granite que custa R$ 2.400 e dispõe do teto solar, o preço sugerido é de R$ 178.958. Para PcD, há isenção de IPI e bônus de 8% para o público, reduzindo o preço para R$ 152.567,28. Preços não valem para São Paulo e Paraíba.

Bom, o Jeep Renegade 2022 evoluiu naquilo que precisava, tendo bem acertados os pontos de tecnologia, segurança e principalmente motorização. Claro, o preço a ser pago não é pouco, mas o carro oferece ampla lista de equipamentos e traz a tração 4×4, diferencial perante a concorrência.

Respondendo a pergunta que intitula a presente pauta, digo que o diesel, particularmente falando, não faz falta dependendo do ponto de vista, pois em termos de desempenho, ambos os casos servem muito bem o dono de Renegade. Contudo, em termos de consumo e, consequentemente autonomia, o diesel ainda se sai melhor, mas valendo destacar que nesse panorama atual, o diesel está mais caro que etanol e gasolina.

Além disso, principalmente a médio ou longo prazo, a manutenção da motorização flex pode ser menos cara, mas é algo que só saberemos daqui um tempo, pois é um motor totalmente novo e com boas tecnologias empregadas.

Galeria de fotos: Jeep Renegade S T270 4×4

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